Monumento conta a História de

Localizado ao lado da Prefeitura Municipal, o Monumento Manoel Joaquim Pinto, conta a saga dos tropeiros que desbravaram São Joaquim.

O conjunto do monumento ocupa um espaço físico de 230 m², estando dividido em três corpos. A entrada, na parte frontal, compreende um espaço  aproximado de 13 m de comprimento por 3m de largura, numa superfície totalmente gramada. Nela está  colocada uma pedra de 1,5 m de comprimento por 0,80 m de largura, em que estão gravados dizeres, explicitando ser ela oriunda da fazenda do fundador de São Joaquim, MANOEL JOAQUIM PINTO, na localidade do Cedro, hoje município de Urupema, onde estaria colocada na entrada da sede. Esta pedra juntamente com outras, formam o nº sete, de 7 de Maio aniversário do município, as 7 cores do Arco Íris e as 7 notas musicais dos  7 dias da semana dos 7 anões da Branca de Neve etc. 

No corpo central do Monumento, num espaço físico de 13 m de comprimento por  9 m de largura, está desenhado, em lâmina de água, o mapa de São Joaquim, circundado pelos dois rios principais: o Pelotas, divisando com Rio Grande do Sul, mais precisamente com os municípios de São José dos Ausentes e Bom Jesus e com o município de Bom Jardim da Serra, em Santa Catarina, o rio Lavatudo, pelo lado de Santa Catarina, marcando divisa com o município de URUBICI, onde tem sua nascente, no Morro da Igreja, neste município, local da nascente de outros dois importantes rios da região, Canoas e Pelotas. Os rios formadores da importante bacia do rio Uruguai.

A posição que está colocado o mapa  do município e consequentemente os rios, pode causar estranheza, pois no seu movimento natural os rios deságuam caminhando para o Sudoeste e no mapa do Monumento ela escorre para o lado oposto, isso tem explicação pois obedeceu-se a proporcionalidade dos formatos dos Estados de São Paulo e Santa Catarina e no mapa maior que é o do município de São Joaquim não o caberia pois esta tem formato triangular. Outro motivo fundamental para manter esta posição é de que outras personalidades da colonização de São Joaquim adentraram nesta terra, atravessando o rio Pelotas, vindos do Rio Grande do Sul, como o patriarca Manoel da Silva Ribeiro formando o grande tronco da família Ribeiro e mais tarde Manoel Bento Nunes e Firmino Rodrigues Nunes que se uniram a família Ribeiro formando estas tradicionais famílias Ribeiro, Rodrigues e Nunes em São Joaquim. Portanto a entrada ao monumento também se dá pelo rio Pelotas. Dentro do mapa do município de São Joaquim, também em lâmina de água, estão desenhados os mapas dos Estados de São Paulo e Santa Catarina, interligados por uma  ponte, que também serve de panóplia para abrigar os mastros das três bandeiras, e na extremidade dos mastros, 3 maçãs em nó de pinho. Para dar acesso  a essas partes, foram construídas em concreto polido duas pontes, em forma de arco. A  ponte que serve de panóplia representa a interligação de Piracicaba (SP) com São Joaquim (SC), pois o Sr. Manoel Joaquim Pinto era um bandeirante piracicabano que,  nos idos de 1873, veio desbravar as terras da costa da serra, fundando a Freguesia de São Joaquim do Cruzeiro da Costa da Serra, juntamente com outros desbravadores, que constam na Comissão de fundadores. As duas cidades estão demarcadas, no monumento, com pedras de cristal da região. Na demarcação de São Joaquim, encontra-se afixada uma  plaqueta do IBGE, com a altitude aferida de 1.417m ainda no corpo do Monumento, foi resgatado um tronco de pinheiro (araucária), semi-oco, centenária, com 1,80m de diâmetro, na parte mais grossa, 0,90m, na parte mais fina  e 4 m de comprimento o lado vazado do tronco está voltado para parte frontal do monumento, de  forma inclinada, num ângulo aproximado de 30° com a extremidade   mais grossa na parte inferior, apoiada sobre uma pedra, submersa na lâmina de água, e  a extremidade superior, apoiada sobre uma maçã com 0,60 de diâmetro e 1m de altura esculpida em pedra basalto (pedra ferro) localizada  sobre o mapa do Estado de Santa Catarina, na sua extremidade oeste. O  tronco inclinado sugere o pinheiro derrubado e o fim do ciclo da madeira com o desmatamento das florestas  de araucária,  ao mesmo tempo, em que se escora  sobre a maçã, um novo e pujante ciclo econômico de São Joaquim, iniciado por volta de 1.969. principalmente após o forte apoio e convênio com o Governo Japonês (JICA) e a vinda da colônia japonesa em 1974. Por isso a inscrição em letra japonesa escrito maçã e ano de 1974 também em letra de forma Japonesa. Junto a esta maçã, estará fincado um pinhão, também esculpido em pedra, e escorando o tronco. Desse pinhão, vinga um broto, com os dizeres: “nova geração-esperança”, sugerindo o plantio do pinhão, tal qual a gralha o faz, cujo broto, germinando, simboliza a esperança com a chegada da nova geração, seja de plantas reflorestando ou de novos joaquinenses com nova visão de vida e escorando a economia do município.

No tronco está esculpido uma tropa de animais, conduzida  por bandeirantes paulistas, devidamente identificados pelas vestes próprias como exemplo a aba do chapéu  dobrada para cima, pelas bruacas típicas, presas nas mulas. Essa tropa toma a direção de cima para baixo no tronco, pois, geograficamente, São Paulo fica em latitude acima de Santa Catarina, e o seu deslocamento, na  busca de novos  horizontes, deu-se do norte para o sul.

Na parte superior do tronco e na parte interna vazada,  está postado o busto do Senhor MANOEL JOAQUIM PINTO, esculpido, em pedra  basalto, por ELSON OUTUKI, fruticultor e escultor recém revelado, cuja aptidão pela arte manifestou-se tardiamente, aos 49 anos de idade, sem qualquer preparação. Ainda nesse tronco, está afixado, na parte superior, uma placa inaugurativa, constando nomes dos atuais dirigentes municipais e com a logomarca da administração municipal, esculpida numa pedra, sugerindo a forma de um machado. Na parte interna do tronco, está instalado um duto de água que despejará, pela extremidade superior, a água para abastecer e renovar a lâmina de água simbolizando o pinheiro chorando, e desta, sob pressão, a que verte pelas nascentes dos rios Lavatudo e Pelotas, formando, dessa forma, o círculo de movimentação da água do monumento.

Abaixo da escultura da tropa de bandeirantes, também escorrerá um veio de água, simulando os córregos de beira de estradas, muito freqüentes na região e com as esculturas das raízes lavadas nas suas encostas.                                                 

No costado do tronco, está esculpida uma lida do gado, numa fazenda, para representar este importante seguimento econômico e cultural de São Joaquim, o tropeirismo, e o tradicionalismo com algumas características da época marcada na escultura como a porteira de varão a boleada, a taipa, e o ginete feito por Guri.                    

Numa das cavidades da parte superior do tronco na parte frontal, também está afixada uma escultura, em forma de favo de mel, em pedra  para também registrar essa atividade, tão importante e magnifica quanto imprescindível para o ciclo da fruticultura, com as polinizações das flores e a renovação da vida. Ainda no corpo central do monumento (2), os municípios  limítrofes de São Joaquim, estão demarcados com variações de cor de brita, além de identificação em pedra, com esculturas, caracterizando esses municípios.

  • LAGES: um pinhão, esculpido em pedra. São Joaquim, outrora, pertenceu aos CAMPOS DAS LAGES, onde o pinheiro era muito abundante e, em época mais contemporâneo, Lages se notabilizou pela FESTA DO PINHÃO. São Joaquim desmembrou de Lages em 1873.
  • PAINEL: Uma panela, com uma truta, esculpidas em pedra, pois o posto de truticultura esta situado naquele município. Que, após a sua emancipação de Lages em 07/08/1994, adotou como logomarca o PAINELAÇO, “pane- laço”.
  • URUPEMA: uma cascata congelada, montada sobre uma pedra em cristais, e uma antena parabólica com os dizeres “Terra, Frio, Pedra’, aqui o piracicabano MANOEL JOAQUIM PINTO fundou e fincou os pés, na localidade do Cedro, hoje município de URUPEMA, terra da cascata congelada, emancipada de São Joaquim em 1989. Obs.: “fincou” porque nessa pedra a natureza deixou uma marca, em forma de um sapato.
  • RIO RUFINO: hoje não divisa mais com o nosso município mas fez parte, portanto está lembrada com as letras escritas na pedra em forma de trança representando o vime e o seu artesanato.
  • URUBICI: caracterizada pela pedra furada do Morro da Igreja, com essa identificação escrita juntamente com a sua altitude.

Desmembrou-se de São Joaquim em 03/02/1957.                                            

  • BOM JARDIM DA SERRA: Está caracterizado pela escultura da Serra do Rio do Rastro, em pedra, e o chapadão no alto da serra localiza o Município. também com a sua altitude demarcada como dado informativo aos visitantes. Desmembrou-se de São Joaquim 1967.

No canto desse corpo do monumento (2) estão postadas três pedras gravadas. Uma com a  forma do brasão do Poder Legislativo, com a atual Câmara de Vereadores. Outras duas pedras formam um conjunto semelhante aos dois morros contemplados  no brasão do município. Em uma destas pedras, estão inscritos todos os nomes dos  prefeitos que administraram este município, desde a sua fundação. Ao  lado  dessa  nominata, está esculpida, em relevo o Brasão do Município, com os nomes dos seus  idealizadores, em 1966, os Senhores THIAGO MATTOS e  Dr. OLAVO FRANCISCO VIEIRA. Na outra, pedra estarão os ilustres personagens da Comissão da Fundação do Município.

No campo (3) ao fundo, fica o Mausoléu, cujo espaço, em forma de meia  lua, é gramado, com superfície irregular, numa área aproximada de 70m². Nesse espaço, bem na parte central, está enterrada uma tumba, de 2m por 2m e  l,5m de profundidade. Seu tampo se eleva acima do nível do gramado, em forma piramidal, pois ela por si só sugere o misticismo. O restos mortais de Manoel Joaquim Pinto foi transladado, no ato inaugurativo do MONUMENTO, no dia 30 de novembro do ano de 2.000, da localidade do Cedro, em URUPEMA, para este local. Sobre esse tampo piramidal, revestido em pedra, sobe uma cruz, que se inicia numa espiral e termina num crucifixo. O espiral é para sugerir movimento e a força deste movimento, sugando do mausoléu a alma do nosso Fundador e elevando-a para o céu, onde termina em cruz, símbolo maior da cristandade, base e fundamento da colonização brasileira. Esta cruz está revestida de cacos de vidros, para dar uma transparência, leveza e brilho  sob a luz do sol e, à noite  sob a luz dos refletores voltados para o Monumento. Além de inserir no contexto do monumento o fator gelo.

Este monumento tem a proposta do resgate histórico de SÃO JOAQUIM, tornando-a interativa, educativa, recheada de dados históricos  e  geográficos, trazendo, através de  algumas curiosidades e aplicação de técnicas inéditas, principalmente no tocante à matéria prima, suscitando, com a visão futurista, interação de forma  informativa e pedagógica, com visitantes que nela transitarem,  sejam eles cidadãos joaquinenses ou ilustres turistas, visitando esta terra. Ao lado do mausoléu está fixada uma parte de um tronco de ipê que foi o pé da 2 ª  cruz plantada na fazenda Santa Cruz “cruz de  Nholo” dos Ribeiros, por volta de 1.900.

O paisagismo do Monumento tem um toque oriental, não só pelo autor e executor da obra, mas também pela forma de montar a lâmina de água e os riachos, utilizando pedras, muito comuns entre os orientais, além de utilizar lascões de pedra da época da construção da Igreja Matriz, onde a natureza caprichosa nesses 50 a 60 anos as cobriu de liquens, estas pedras foram recolhida da propriedade do Sr. Galeno Tadeu Proença.  Ao inserir a maçã no contexto,  registra uma fase da colonização de São Joaquim, feita pela colônia japonesa, iniciada em 1.974.

No ato inaugurativo juntamente com os restos mortais foi trazido, da fonte de água próximo ao cemitério, a água para benzer o monumento, pois há uma crença popular, do milagre do João Maria, que diz “quem dessa água beber 20 anos de saúde terá”.

 

Escultor: 
ELSON KIYOTAKA OUTUKI          

ESCULTORES COLABORADORES:
Agostinho Hugen  –  Madeira – escultura
Nelson Neves Matias – Madeira – escultura
Yolanda Bathke  – Desenho na madeira
Teizo Tonooka – Auxiliar Esculturas – pedra
Tadeu – Serviço de pedreiro